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postheadericon Pacientes com transtornos mentais são reinseridos

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A Rede de Saúde Mental da Prefeitura de Niterói passou, há cerca de 20 anos, por transformações significativas na forma de atender pacientes, promovendo novas ações de proteção social para esse grupo excluído historicamente. Uma dessas práticas, desenvolvidas pelo Centro de Convivência e Cultura (CCCN) da Fundação Municipal de Saúde (FMS), é a parceria com instituições públicas e privadas para a inserção dessas pessoas no mercado de trabalho. Atualmente, são 15 bolsistas, atuando em cantinas, museus e teatros, além de 10 em trabalho formal.


Segundo a secretária municipal de Saúde, Maria Célia Vasconcellos, a cidade sempre esteve ligada historicamente às estratégias de cuidado de pessoas que possuem transtornos mentais.


“Em nossa rede temos atendimento e atividades ligadas ao trabalho, cultura, esporte e lazer que mantêm os vínculos dos pacientes com a família, os amigos e a sociedade. O trabalho de reinserção social permite que os usuários da rede tenham a possibilidade de circular e habitar os inúmeros espaços existentes na cidade, se relacionando com outras pessoas e com os lugares comuns a todos”, detalha a secretária.


A coordenação do Programa de Saúde Mental vem fazendo contatos e firmando parcerias entre instituições bancárias, supermercados, fábricas e pequenas empresas no sentido de reinserir esses pacientes no mercado de trabalho. O programa mantém usuários cadastrados a vagas destinadas aos trabalhadores PCD, sigla utilizada para identificar pessoas com deficiência visual, auditiva, física ou intelectual, entre outras.

Atualmente, há dois usuários atuando na recepção e no setor de serviços gerais do Teatro Municipal João Caetano, no Centro, assim como um porteiro, uma copeira e um auxiliar de serviços gerais no Caminho Niemayer, e também como uma vendedora na Barraquinha Delícias da Convivência, instalada no Campo de São Bento. Esse projeto acontece em parceria com a Escola de Gastronomia Arte e Ofício, situada próxima ao Hospital Universitário Antônio Pedro (HUAP), também no Centro, e possibilita que os produtos e outras guloseimas produzidos sejam revendidos.

Há ainda nove bolsistas atuando na cantina da Policlínica Regional Carlos Antônio da Silva, sendo cinco homens e quatro mulheres. Já o grupo Intervalo Musical, que estreou recentemente, reúne um saxofonista, uma cantora e um violonista, que percorrem os ambulatórios da Rede Pública Municipal de Saúde Mental, fazendo apresentações musicais.


A experiência bem-sucedida de J.R., de 34 anos, é o incentivo para que o trabalho continue em frente. Funcionário da cantina Varandas dos Sabores, na Policlínica Carlos Antônio da Silva, no Centro, ele é um dos pacientes do Programa de Saúde Mental do município, que estão sendo reinseridos na sociedade, por meio de ações culturais, atendimento ambulatorial e trabalho formal.


J.R. passava por crises de ansiedade e foi atendido no Hospital Psiquiátrico de Jurujuba (HPJ). Atualmente, vem melhorando seu quadro de saúde e adquirindo mais independência.


“Esse trabalho na cantina é importante para ganharmos nosso dinheiro, convivermos com a sociedade e melhorarmos nossa saúde mental”, conta.


A reinserção dos pacientes se estende também ao mercado de trabalho formal. A Faculdade Maria Thereza, em São Domingos, por exemplo, emprega há mais de dois anos um paciente no Setor de Informática. O Supermercado “Supermarket”, por sua vez, mantém sete pessoas trabalhando, entre eles uma mulher. Já o Supermercado Real está com dois usuários masculinos em processo de admissão.


A coordenadora do Centro de Convivências e Cultura de Niterói (CCCN), Wal Tomaz, afirma a felicidade ao ver os desdobramentos do tratamento na vida de cada um dos pacientes, que com a ajuda de equipes multidisciplinares, encontram maneiras de circular pela cidade sem que se sintam estigmatizados pela loucura.


“Acompanhar pessoas que vivem em seus territórios, mas que encontram inúmeras dificuldades de conviver na sociedade, de estar em lugares que não são comumente frequentados, não só pelos que trazem as marcas da loucura, mas também por pertencerem a uma parcela da sociedade com baixo poder aquisitivo, faz toda a diferença”, exalta Wal, destacando a importância dos apoiadores do projeto.


“Sem esses parceiros não haveria um trabalho permanente de construção e avanços claros nessas que consideramos uma via de mão dupla. Os ganhos são tanto para os usuários quanto para os funcionários dessas instituições citadas, que convivem e trabalham ao lado dessas pessoas, tendo a possibilidade de desconstruir a visão de que a loucura, preferencialmente, deva estar trancafiada e muito distante de nós”, concluiu a coordenadora.


Atendimento com qualidade


O município de Niterói possui quatro Centros de Atenção Psicossocial (Caps): dois para adultos em grave sofrimento psíquico; um CapsAD para adultos usuários de álcool e outras drogas; e um Capsi para crianças e adolescentes em grave sofrimento psíquico. A rede conta, ainda, com seis ambulatórios, um Centro de Convivência e Cultura (CCCN), uma Unidade de Acolhimento Infanto-juvenil (UAI), oito Residências Terapêuticas (RT) e o Hospital Psiquiátrico de Jurujuba (HPJ).

 

 

 

 


 
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