
Para fechar o Janeiro Roxo, a Policlínica Regional do Barreto – Dr. João da Silva Vizella realizou na tarde da última quarta-feira (29) uma roda de conversa para os funcionários da unidade sobre o tema que teve a participação da assistente social Patrizia Vila Real e a dermatologista Anne Leroy.
Com a experiência de quem trabalha no combate à doença desde 2001, quando começou a atuar no Hospital Estadual Tavares de Macedo em Itaboraí, Patrizia falou sobre o histórico de tratamento da Hanseníase falando sobre os estigmas e o preconceito que as pessoas têm. “Antigamente, até o começo dos anos 1990, os pacientes eram isolados em colônias e eles viviam nesses locais tristes. Embora isso não aconteça mais, esse estigma traz até hoje uma discriminação com quem tem a doença e o meu objetivo é mudar essa visão para que as pessoas tratem com olhar acolhedor como deve ser, principalmente os agentes de saúde”, afirmou ela, que atua na rede municipal de Niterói desde 2007 e desde 2013 trabalha na Policlínica do Barreto.
Em seguida foi a vez da dermatologista Anne Leroy que deu todo o parecer técnico sobre as manchas na pele, uma das características mais marcantes da doença. “Eu tô há quase dois anos aqui na unidade e faço o atendimento clínico. Neste Janeiro Roxo de conscientização sobre a hanseníase, o nosso trabalho é sempre trazer informações relevantes sobre a doença para as pessoas conhecerem e se ambientarem para quebrar um pouco o preconceito que ainda existe em torno da doença”, afirma a profissional. Assim como a Policlínica do Barreto, todas as demais policlínicas e unidades básicas de saúde também reservaram em suas agendas um espaço para falar sobre a hanseníase durante todo o mês.
Historicamente, a doença é conhecida há mais de quatro mil anos e atinge pessoas de ambos os sexos e de qualquer idade. Contudo, é necessário um longo período de exposição à bactéria, e ainda assim, apenas uma pequena parcela da população infectada realmente adoece. As lesões neurais decorrentes conferem à doença um alto poder de gerar deficiências físicas e configuram-se como principal responsável pelo estigma e discriminação às pessoas acometidas pela doença.
Na rede municipal de saúde de Niterói, o tratamento pode ser feito nos 44 módulos do Programa Médico de Família, em quatro Unidades Básicas de Saúde, e em oito Policlínicas Regionais. Além do tratamento presente em todas as regiões da cidade, buscando impulsionar a adesão ao tratamento para Hanseníase, e fortalecer o vínculo da unidade com o usuário, Niterói oferece um cartão alimentação aos pacientes em tratamento. Este cartão é recarregado mensalmente até o término do tratamento, e está condicionado ao paciente que reside em Niterói, e que cumpre o protocolo terapêutico.
Mesmo sendo uma doença bastante antiga, poucas pessoas sabem e compreendem suas causas, sintomas ou como é feito o tratamento dos pacientes. E é justamente a ausência desses conhecimentos que tornam a campanha do Janeiro Roxo ainda mais importante e relevante.
A secretária de Saúde de Niterói, Ilza Fellows, salientou a importância da divulgação de informações e o compartilhamento de conhecimentos acerca da doença para a população, tendo em vista que por muitos anos ela foi vista como um grande estigma.
“Entendemos que a divulgação de informações corretas e o compartilhamento de conhecimento sobre a doença são fundamentais para garantir que todos tenham acesso a um diagnóstico rápido e ao tratamento necessário. É por isso que temos investido constantemente em ações de conscientização e educação em saúde. Estamos empenhados em fornecer informações claras e acessíveis à população, com o objetivo de que todos possam reconhecer os sinais da doença e buscar ajuda médica sem receio”, afirmou.
A Campanha de Janeiro Roxo possibilita ampliar a discussão na sociedade, contribuindo com a ampliação de conhecimentos e combate aos estigmas negativos atrelados a hanseníase.
Para saber mais informações sobre a Hanseníase, como sintomas e tratamento, clique aqui.
Fotos: Andre Luiz Coutinho